Culinária

Como precificar salgados e doces para vender sem trabalhar de graça

A conta que quase todo mundo faz errado é a mesma: soma o preço dos ingredientes, dobra o valor e chama de lucro. Este guia mostra a conta completa, na ordem em que ela precisa ser feita.

Ebook360 5 min de leitura

Existe um momento parecido na história de quase todo mundo que vende comida em casa: as encomendas aumentam, o dia vira uma maratona, e no fim do mês o dinheiro não aparece na proporção do esforço. Quase sempre o problema não é falta de cliente. É preço.

E o preço costuma estar errado por um motivo específico: a conta considera só o que foi comprado no mercado. Fica de fora o gás, a energia, a embalagem, o desperdício e, principalmente, a sua hora de trabalho.

Os cinco componentes do preço

Preço bem feito é a soma de cinco coisas. Pular qualquer uma delas é vender no prejuízo sem perceber:

  1. Custo dos ingredientes, calculado pela quantidade usada, não pela embalagem comprada.
  2. Custos operacionais: gás, energia, água, embalagem, etiqueta, sacola.
  3. Sua hora de trabalho, incluindo compra, preparo, limpeza e entrega.
  4. Custos fixos rateados: internet, aluguel, telefone, taxa de aplicativo.
  5. Margem de lucro, que é o que sobra depois de tudo isso, não o que sobra dos ingredientes.

Passo 1: o custo real da receita

O erro clássico é anotar o preço do pacote. O que entra na conta é o preço da quantidade usada:

Refaça essa planilha a cada dois ou três meses. Ingrediente sobe de preço em silêncio, e quem não revisa continua vendendo pelo custo do ano passado.

Materiais de receita voltados a quem vende, como o combo de receitas de salgados e o caderno de recheios, costumam já trazer o rendimento por receita, que é o número que falta para fechar a conta.

Passo 2: rendimento, o número que muda tudo

Custo da receita dividido pelo rendimento dá o custo por unidade. É aqui que muita gente se perde, porque o rendimento varia com o tamanho da porção.

Uma massa que rende 100 coxinhas de 40 g rende 80 de 50 g. Se você anuncia por unidade mas produz no peso, precisa padronizar: pese algumas unidades e defina o tamanho oficial. Sem isso, o mesmo pacote de ingredientes gera preços diferentes a cada produção.

Passo 3: o que quase ninguém soma

Custos operacionais

Gás, energia e água entram por produção. Uma forma prática de estimar: pegue a conta do mês, calcule quanto do consumo é da produção e divida pelo número de unidades produzidas no mês. Não precisa ser exato, precisa existir na conta.

Embalagem costuma ser o custo mais subestimado. Caixa, papel, etiqueta, sacola e fita, somados, chegam facilmente a 10% do preço final em produto de encomenda.

A sua hora

Defina um valor para a sua hora e cronometre a produção de verdade, incluindo a ida ao mercado e a louça. Se 100 coxinhas levam 4 horas no total e sua hora vale R$ 20,00, são R$ 80,00, ou R$ 0,80 por unidade. Ignorar isso é o que faz o negócio parecer lucrativo enquanto consome o dia inteiro.

Taxa de aplicativo e cartão

Se você vende por aplicativo de entrega ou recebe no cartão, a taxa sai do seu preço, não do preço do cliente. Some a taxa antes de definir o valor final, senão ela come exatamente a margem.

Passo 4: a margem

Com custo total por unidade na mão, o preço sai de uma divisão simples. Para uma margem de 30%, divida o custo por 0,7. Custo de R$ 2,00 vira R$ 2,86, arredondado para R$ 3,00.

Multiplicar o custo por 3 é a regra de bolso mais comum e funciona como conferência: se o preço da divisão ficou muito abaixo, provavelmente você esqueceu de somar algum custo.

Preço de encomenda e preço de venda avulsa não são o mesmo. Encomenda grande tem custo por unidade menor, e é aí que cabe desconto, sem mexer no preço de balcão.

Passo 5: revisar e testar

Se você está começando agora e quer um cardápio que já nasce pensado para venda, materiais como o de salgados de forno com app de gestão e precificação resolvem receita e conta no mesmo lugar. Para doces e bolos, o apostila de bolos caseiros e o manual dos bolos recheados trabalham produtos de ticket maior, onde a margem costuma ser melhor.

Vale ler também o guia sobre como divulgar e vender pela internet, porque preço certo com divulgação errada continua não fechando o mês.

Perguntas frequentes

Qual a margem ideal para salgados e doces?

Entre 30% e 50% sobre o custo total é a faixa mais comum em produção caseira. O que define o número dentro dessa faixa é o tipo de venda: encomenda grande costuma trabalhar com margem menor por unidade, e venda avulsa suporta margem maior.

Preciso cobrar a minha hora mesmo trabalhando em casa?

Sim. É justamente o custo que separa negócio de hobby. Sem a sua hora na conta, o preço parece lucrativo enquanto consome o seu dia, e você descobre isso quando tenta contratar alguém e o preço não fecha.

Como calcular gás e energia por unidade?

Uma estimativa suficiente: pegue o valor mensal, estime a fração usada na produção e divida pelo total de unidades produzidas no mês. Precisão contábil não é necessária; o que não pode é o custo ficar em zero na planilha.

Devo cobrar mais caro por encomendas grandes?

Ao contrário: o custo por unidade cai em produção grande, então é nela que cabe desconto. O cuidado é não deixar o desconto passar do ganho de escala, e considerar que encomenda grande costuma exigir mais horas seguidas de trabalho.

Materiais citados neste artigo

Do catálogo do Ebook360, na categoria Culinária.

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